Qual a Sua Comunidade?

novembro 21, 2018


Trabalhar sobre a prancheta ou em frente à tela pode ser muito solitário. Passa-se horas sem muitas companhias além da própria criatividade e, principalmente, usando intensivamente as técnicas. Apesar de ser um processo prazeroso, ele acaba por criar um ambiente muito individual – quase levando a uma “desconexão” entre o artista e o mundo à sua volta.

Dar um tempo para dedicar-se à produção é bom e necessário, mas a arte só tem a ganhar quando adicionamos mais mentes que trabalham de forma consoante conosco. Grandes produções hollywoodianas são um imenso trabalho em grupo e todos – quando bem alinhados – sempre enriquecem o produto final. Sofia Coppola é uma diretora estadunidense que não se sente boa em nada, mas procura se cercar de bons profissionais que podem ajudá-la a dar forma às suas ideias. Nos quadrinhos, por mais que existam muitos exemplos de premiados artistas que fazem todo o processo, uma parte se sente muito à vontade – e até preferem – trabalhar em duplas ou grupos. Os irmãos Cafaggi e a dupla Bá-Moon são bons exemplos de parcerias bem sucedidas.

Somos seres sociais e, com isso, precisamos estar e ter com outros. É necessário sim momentos consigo, mas faz parte de nosso amadurecimento – como artistas e pessoas – aprender, trabalhar e criar em grupo. Então, faça parte de uma comunidade, comece uma parceria e cruze seu caminho com aqueles que podem adicionar algo a seu trabalho, somando o seu mesmo ao deles também.

Texto de Luís Carlos Sousa

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

E se só existisse o hoje?

novembro 14, 2018


E se só existisse o hoje? Por mais apocalíptica que pareça a pergunta, na verdade, ela traz algumas pequenas coisas a se pensar.

Há um certo ponto de nossas jornadas como artistas que pensamos bastante nas oportunidades que perdemos, nas falhas que cometemos, nos passos que não demos, no tempo que não aproveitamos. Quase no mesmo instante, olhamos para o incerto futuro e nos questionamos se tudo que ainda vai vir será suficiente ou mesmo se estamos preparados – ou se somos dignos de tudo o que o desconhecido amanhã tem para nós.

Quanta coisa, não? Agora, uma sugestão: pare por um momento. Olhe a sua volta. Veja tudo o que você tem hoje. Aproveite as capacidades que você possui agora e use-as. O passado não está mais com você, ele te forjou como pode, mas é preciso deixar ele ir. Abandone-o sem culpa, sendo grata por tudo o que ele te ensinou. O futuro, por sua vez, é só uma variável, uma ideia, uma expectativa. Se nos concentrarmos muito nele, nos frustraremos perdendo horas construindo castelos de areia.

Então, abrace seu hoje. Ele é seu verdadeiro tempo. Ele é a conclusão de sua própria caminhada e o início de sua jornada. Não há melhor lugar para se estar.

Texto de Luís Carlos Sousa

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

O Olhar do Desenhista

outubro 31, 2018


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Quando você precisa de referências para desenhar, pra onde você vai? Hoje a internet nos permite uma infinidade de opções: deviantartpinterest, o próprio Instagram. Mas, você tem feito desenhos de observação? Desenhar usando ferramentas digitais é muito bom e prático – principalmente por conta do tempo que se ganha -, mas nada substitui a interpretação do desenho através do próprio olhar do desenhista.

Tomar uma referência através de uma foto – do próprio desenhista ou de outro – é captar o instante da “lente”, um momento fixo imutável (ou imortalizado) pelo olhar filtrado do fotógrafo. Apesar de ser algo interessante sim ao desenhista, quando este aplica seu próprio olhar sem as “camadas” do maquinário fotográfico, ou dos pixels, bits e bytes eletrônicos, ele está dando uma impressão direta da realidade através de seu próprio olhar, dessa vez num instante identitário do artista – impossível de ser apreendido novamente, mesmo que aquele momento venha a ser replicado.

Além disso, o desenho de observação é importante para a prática do desenho em si. Ele treina a maneira do desenhista em perceber o real e reinterpretá-lo em suas linhas e traços. Além de manter o contato do desenhista por uma prática mais livre, descompromissada e instintiva, tomando sempre o cuidado no olhar.

Aproveite seu tempo livre… e mãos à obra!

Alex Coi tem um canal no YouTube e nesse vídeo ele tanto fala sobre desenho de observação quanto mostra seus sketchbooks. Confiram no play!

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

A Responsabilidade da Arte!

outubro 24, 2018


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É muito comum se falar na liberdade da arte, de que esta não deve ser contida, diminuída ou censurada. Realmente, a arte, enquanto expressão do ser, precisa de amplitude para existir – por essa lógica, então, aos artistas, como veículos humanos dessa linguagem, toda a liberdade. No entanto, acreditamos que é preciso entender que tal liberdade não deve ser isenta de responsabilidades.

A arte é, antes de tudo, uma comunicação: o artista transmite uma ideia, a qual será reinterpretada por aqueles que a recebem. Uma das definidoras qualidades da arte é que tal mensagem pode gerar inúmeras interpretações, podendo ser alterada e ressignificada através do tempo, local, cultura, indivíduo ou da soma de todas essas características. Por isso que achamos importante sempre considerar como sua arte pode ser recebida: ela ofende/inferioriza/invisibiliza alguém, grupo, etnia, gênero, classe? Ela reforça/multiplica/justifica ações/conceitos de cunho violento/opressor/preconceituoso? Entre outras questões.

É importante que a arte traga questionamentos, mas é preciso reconhecer quando ela é questionável. Apresentar ideias que estimulem o debate da realidade vigente é uma das mais nobres e tradicionais funções da arte, mas utilizar a mesma para reforçar argumentos historicamente reconhecidos como opressores, justificando, através de sua liberdade de expressão, a impossibilidade de debate e forçando a uma aceitação incontestável parecem contradizer, inclusive, a natureza libertária do fazer artístico.

Por mais que uma vez publicada a obra esteja nas mãos de seus consumidores para formar novos significados, todo produtor deveria tomar responsabilidade no enunciado lançado, acrescentando sua própria voz ao debate iniciado por seu trabalho, bem como reconhecendo que algo dito em um determinado ponto de sua carreira pode ser revisto por ele mesmo em um outro, levando-o a reconhecer aquelas expressões como um passo de sua pessoal jornada de maturidade como artista e como ser humano.

Não é de nenhum interesse que nós, produtores de arte, sejamos silenciados. Mas igualmente não deveríamos querer que nossas obras sejam canalizadores de discursos de ódio – pelo contrário, esperamos que tudo o que produzimos possa levar ao debate pacífico e saudável, reconhecendo quando falhamos em nossos ofícios, mas estando sempre abertos a aprender com contestações, críticas e elogios.

Toda vida à arte!

Artista, designer, e editora de arte da revista The New YorkerFrançoise Mouly é uma das mais importantes figuras do mercado editorial e uma das mais representativas vozes (junto com seu marido, Art Spielgeman) que ajudaram a elevar as histórias e os artistas de quadrinhos para o local de importância em que estão hoje em nossa cultura. Nessa sua curta fala para o evento TED: Talks, a profissional aborda a importância da expressão artística como catalisadora das mudanças sociais e como contestadoras da realidade usando as capas da The New Yorker como exemplo. O vídeo está em inglês, mas as legendas em português podem ser ativadas. Confiram!

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

Organizar é preciso!

outubro 17, 2018


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Existe uma grande opinião – muitas vezes reforçada por filmes e livros – de que para criar arte é preciso ser naturalmente “desorganizado”, pois essa seria uma forma de se estar em contato com seu lado mais “subjetivo”, mais “expressivo”. Assim, lidar com tabelas, regras, horários programados, prazos seria como “matar” a liberdade de pensamento artístico. Apesar de ser muito sedutor colocar as coisas dessa forma, para muitos produtores – e uma parcela considerável do mercado – não é muito vantajoso trabalhar nessas condições.

Esperando desmistificar o pensamento “opressor” da organização, acreditamos que montar uma disciplina de horário contribui não somente para a produção em si, mas para o encaixe dela com outros elementos, como família, amigos, atividades físicas, e nos permite uma visão mais elaborada apontando para os objetivos que desejamos alcançar.

É importante considerar que a organização e a disciplina não são “prisões” do ego artístico, mas “ferramentas” de melhor direcionamento e aprimoramento deste. Além disso, mais do que subjetividade ou expressivismo, acreditamos que o maior motor de um artista é sua paixão pela produção e, para isso, não existem amarras reais ou mentais suficientes.

Então, monte seu horário e comece a produzir!

Baseado no livro A Mágica da Arrumação, o perfil Ilustradamente resumiu as ideias trazidas por Marie Kondo sobre a arrumação e o impacto dela em nossa vida. Vale a conferida.

Publicado por Daniel Brandão

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