O Olhar do Desenhista

outubro 31, 2018


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Quando você precisa de referências para desenhar, pra onde você vai? Hoje a internet nos permite uma infinidade de opções: deviantartpinterest, o próprio Instagram. Mas, você tem feito desenhos de observação? Desenhar usando ferramentas digitais é muito bom e prático – principalmente por conta do tempo que se ganha -, mas nada substitui a interpretação do desenho através do próprio olhar do desenhista.

Tomar uma referência através de uma foto – do próprio desenhista ou de outro – é captar o instante da “lente”, um momento fixo imutável (ou imortalizado) pelo olhar filtrado do fotógrafo. Apesar de ser algo interessante sim ao desenhista, quando este aplica seu próprio olhar sem as “camadas” do maquinário fotográfico, ou dos pixels, bits e bytes eletrônicos, ele está dando uma impressão direta da realidade através de seu próprio olhar, dessa vez num instante identitário do artista – impossível de ser apreendido novamente, mesmo que aquele momento venha a ser replicado.

Além disso, o desenho de observação é importante para a prática do desenho em si. Ele treina a maneira do desenhista em perceber o real e reinterpretá-lo em suas linhas e traços. Além de manter o contato do desenhista por uma prática mais livre, descompromissada e instintiva, tomando sempre o cuidado no olhar.

Aproveite seu tempo livre… e mãos à obra!

Alex Coi tem um canal no YouTube e nesse vídeo ele tanto fala sobre desenho de observação quanto mostra seus sketchbooks. Confiram no play!

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

A Responsabilidade da Arte!

outubro 24, 2018


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É muito comum se falar na liberdade da arte, de que esta não deve ser contida, diminuída ou censurada. Realmente, a arte, enquanto expressão do ser, precisa de amplitude para existir – por essa lógica, então, aos artistas, como veículos humanos dessa linguagem, toda a liberdade. No entanto, acreditamos que é preciso entender que tal liberdade não deve ser isenta de responsabilidades.

A arte é, antes de tudo, uma comunicação: o artista transmite uma ideia, a qual será reinterpretada por aqueles que a recebem. Uma das definidoras qualidades da arte é que tal mensagem pode gerar inúmeras interpretações, podendo ser alterada e ressignificada através do tempo, local, cultura, indivíduo ou da soma de todas essas características. Por isso que achamos importante sempre considerar como sua arte pode ser recebida: ela ofende/inferioriza/invisibiliza alguém, grupo, etnia, gênero, classe? Ela reforça/multiplica/justifica ações/conceitos de cunho violento/opressor/preconceituoso? Entre outras questões.

É importante que a arte traga questionamentos, mas é preciso reconhecer quando ela é questionável. Apresentar ideias que estimulem o debate da realidade vigente é uma das mais nobres e tradicionais funções da arte, mas utilizar a mesma para reforçar argumentos historicamente reconhecidos como opressores, justificando, através de sua liberdade de expressão, a impossibilidade de debate e forçando a uma aceitação incontestável parecem contradizer, inclusive, a natureza libertária do fazer artístico.

Por mais que uma vez publicada a obra esteja nas mãos de seus consumidores para formar novos significados, todo produtor deveria tomar responsabilidade no enunciado lançado, acrescentando sua própria voz ao debate iniciado por seu trabalho, bem como reconhecendo que algo dito em um determinado ponto de sua carreira pode ser revisto por ele mesmo em um outro, levando-o a reconhecer aquelas expressões como um passo de sua pessoal jornada de maturidade como artista e como ser humano.

Não é de nenhum interesse que nós, produtores de arte, sejamos silenciados. Mas igualmente não deveríamos querer que nossas obras sejam canalizadores de discursos de ódio – pelo contrário, esperamos que tudo o que produzimos possa levar ao debate pacífico e saudável, reconhecendo quando falhamos em nossos ofícios, mas estando sempre abertos a aprender com contestações, críticas e elogios.

Toda vida à arte!

Artista, designer, e editora de arte da revista The New YorkerFrançoise Mouly é uma das mais importantes figuras do mercado editorial e uma das mais representativas vozes (junto com seu marido, Art Spielgeman) que ajudaram a elevar as histórias e os artistas de quadrinhos para o local de importância em que estão hoje em nossa cultura. Nessa sua curta fala para o evento TED: Talks, a profissional aborda a importância da expressão artística como catalisadora das mudanças sociais e como contestadoras da realidade usando as capas da The New Yorker como exemplo. O vídeo está em inglês, mas as legendas em português podem ser ativadas. Confiram!

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

Organizar é preciso!

outubro 17, 2018


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Existe uma grande opinião – muitas vezes reforçada por filmes e livros – de que para criar arte é preciso ser naturalmente “desorganizado”, pois essa seria uma forma de se estar em contato com seu lado mais “subjetivo”, mais “expressivo”. Assim, lidar com tabelas, regras, horários programados, prazos seria como “matar” a liberdade de pensamento artístico. Apesar de ser muito sedutor colocar as coisas dessa forma, para muitos produtores – e uma parcela considerável do mercado – não é muito vantajoso trabalhar nessas condições.

Esperando desmistificar o pensamento “opressor” da organização, acreditamos que montar uma disciplina de horário contribui não somente para a produção em si, mas para o encaixe dela com outros elementos, como família, amigos, atividades físicas, e nos permite uma visão mais elaborada apontando para os objetivos que desejamos alcançar.

É importante considerar que a organização e a disciplina não são “prisões” do ego artístico, mas “ferramentas” de melhor direcionamento e aprimoramento deste. Além disso, mais do que subjetividade ou expressivismo, acreditamos que o maior motor de um artista é sua paixão pela produção e, para isso, não existem amarras reais ou mentais suficientes.

Então, monte seu horário e comece a produzir!

Baseado no livro A Mágica da Arrumação, o perfil Ilustradamente resumiu as ideias trazidas por Marie Kondo sobre a arrumação e o impacto dela em nossa vida. Vale a conferida.

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O seu tempo é agora!

outubro 10, 2018


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Você já se pegou pensando que talvez seu tempo para criar ou começar um projeto tenha passado? Ou que você precisa de um tempo certo para realmente começar a fazer algo que você quer – mas esse ainda não chegou? Até onde cada uma dessas coisas são reais e até onde são projeções de seus medos, receios e dúvidas?

Acreditamos que só exista um tempo: o agora. Lamentar-se pelas coisas que não se realizaram – quando estas estão sob seu controle – é continuar adiando seus sonhos e desejos: é duvidar de si mesmo. Esperar pelo momento, espaço, oportunidade adequados é temer o próprio sucesso, porque o grande fracasso é nunca ter tentado.

Não importa o momento de você começar a seguir sua vocação, sua paixão, nem se quando você a abraça ela parece diferente de tudo o que é feito – porque tudo o que ela precisa é que tenha sua verdade, sua sinceridade. Abrace seus medos e incertezas, abrace-os forte e sabendo que eles também refletem quem você é e permita-se até mesmo não ser bem sucedido em seu intento, mas empolgado o bastante para acordar e viver daquilo para sempre.

Força a todos.

Conhecem a escola de imagens Gobelins? Com base na frança, seu canal no YouTube é responsável por alguns dos mais belos curtas animados do site. Iemanjá é um pequeno curta que homenageia o costume brasileiros de homenagear a deusa do mar. Confira e se emocione no play.

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Inspiração e Experimentalismo

junho 26, 2018


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Ei, que tipo de artes você gosta? Tem gente que gosta de desenho, cinema, quadrinhos, aquarela, bordado, fotografia, dança, música… mas acaba se dedicando a somente uma mídia. Nada errado em fazer isso, afinal, manter o foco numa única linguagem nos faz mais especialista nela. No entanto, todo artista possui um “comichão”, uma vontade de provar de outras fontes e incorporar seu próprio repertório aos novos que está aprendendo. Daí surgem as técnicas mistas, os experimentalismos, as diversidades.

A arte, como elemento expressivo ideal, não é preconceituosa. Pelo contrário, ela está sempre disposta a receber o novo, a tentar o inesperado. O que são os filmes “de massinha” se não modelagem + cinema? E quantos quadrinistas contaram suas histórias sequenciais utilizando fotos? O que são os vitrais das igrejas lado a lado se não quadrinhos nas paredes?

Françoise Mouly e Art Spiegelman produziram, durante toda a década de 1980, a revista RAW, que tinha o objetivo de ser mais do que uma revista “para ler”, mas trazia uma “experiência interativa”, com páginas em papel diferente, elementos com cheiros e mesmo alguns textos enrolados em papel de bala – o leitor tinha de “desembrulhar” seu textinho – tudo num misto de técnicas, mídias e temas que procuravam explorar o experimentalismo… e a diversão!

E você? Que formas de arte te atraem? Já pensou em misturá-las? Então… tenta!

Publicado por Daniel Brandão

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