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Blog - arquivo de 12/2007
 
ALDEBARAN

Texto de Rafael Redondo, extraído do site http://www.fanboy.com.br/modules.php?name=Reviews&rop=showcontent&id=933

 

Aldebaran é o primeiro ciclo da trilogia Os Mundos de Aldebaran, do artista brasileiro Leo. A edição brasileira traz os dois primeiros tomos, A Catástrofe e A Foto, lançados originalmente na Europa em 1994 e 1995, respectivamente.

Leo, como ficou conhecido na Europa, é a alcunha de Luiz Eduardo de Oliveira, engenheiro de formação e, posteriormente, desenhista publicitário, que partiu em 1981 para o velho continente em busca do sonho de trabalhar com quadrinhos. Com a ajuda de Jean-Claude Forest, o criador da personagem Barbarella (vivida no cinema por Jane Fonda), colaborou com algumas revistas francesas, até conseguir seu primeiro grande trabalho, Gandhi, le pèlerin de la paix (Gandhi, o peregrino da paz).

Seu trabalho chamou a atenção do roteirista Rodolphe, com quem fez 8 álbuns para a série Trent e três para Kenya. Com Trent, Leo recebeu o reconhecimento por seu trabalho e teve seu projeto, Aldebaran, publicado em 1994, que teve 5 volumes e foi sucedido por Betelgeuse (com outros 5 volumes) e Antares, que encerra a trilogia e deve ter seu primeiro volume publicado ainda esse ano.

Nessa primeira edição da Panini somos apresentados ao narrador da história, Marc Sorensen, um pescador de um vilarejo isolado do planeta Aldebaran. Marc vê sua vida mudar completamente quando um misterioso animal destrói sua vila. Ele e sua amiga Kim partem para a capital para recomeçar a vida e buscar respostas acerca da tragédia que sobre eles se abateu. Durante a jornada, se metem em muitas encrencas e descobrem estar em meio a uma perigosa conspiração para que a estranha força da natureza não chegue aos ouvidos da população.

 

Aldebaran é uma colônia terrestre muito semelhante ao nosso planeta, mas de geografia bem diferente, o que lhe confere peculiaridades na fauna e flora. São tais peculiaridades, aliadas a uma narrativa perfeita e desenhos ricamente detalhados, que fazem da revista uma ficção científica irresistível e com possibilidades infinitas. Leo se aproveita de tais possibilidades, criando cenários e animais exóticos que maravilham e também representam grande perigo para os protagonistas. Há animais curiosíssimos, como o bicho-cebola e a caravela.

Os personagens são complexos e carismáticos, como Kim, uma garota de 13 anos com inteligência e maturidade espantosos; o velhote malandro Pad, que ganha a vida aplicando golpes; o músico José, que vive isolado para poder praticar sua paixão; e os misteriosos Alexa e Driss, que guardam segredos que colocam suas cabeças a prêmio. Marc interage com eles e outras pessoas, que o fazem passar por experiências que ele jamais imaginou em sua pacata vida de pescador.

 

Como nada é perfeito, os diálogos às vezes lembram aquelas peças de teatro amadoras, em que os atores não tem nenhuma naturalidade e declamam frases feitas e clichês vergonhosos. Felizmente, esses deslizes pouco acontecem, e de regra os diálogos cooperam bastante para o desenvolvimento da história.

 

Por fim, Aldebaran é uma leitura instigante, daquelas que você não vê o tempo passar e, quando termina, fica ansioso pela continuação da história e maravilhado pela arte de Leo, que dá uma verdadeira aula aos All-Stars e Young Guns norte-americanos.

 

O trabalho da Panini está impecável, as informações sobre a série, como o mapa-múndi e a cronologia, tornam a leitura ainda mais completa, e a qualidade gráfica está excelente.

 

Uma dica: visitem o site http://www.mondes-aldebaran.com/. Sem exageros, é espetacular e traz todo tipo de informação sobre a série e o autor.

Entrevista com LEO concedida antes das publicações de Aldebaran pela Panini e extraída do site: http://hq.cosmo.com.br/TEXTOS/hqcoisa/h0039_aldebaran.shtm

 

Moebius brasileiro
O carioca Léo, desconhecido no Brasil, conquista os franceses com sua HQ Aldebaran

 

Pergunte a qualquer fã de ficção científica do planeta sobre Aldebaran e a maioria vai lembrar a trilogia Guerra nas Estrelas ou, se tiver conhecimentos de astronomia, dirá que se trata de uma estrela gigantesca, quase 40 vezes maior do que nosso Sol.

 

Pergunte a um leitor de quadrinhos franceses, no entanto, e ele lhe dirá que se trata da série que ficou com o primeiro lugar na lista dos 20 melhores álbuns de Bande Desineé (como chamam-se as HQs em francês) lançados em 2000. E que o autor da série chama-se Leo (na verdade Luís Eduardo de Oliveira) e é brasileiro.
Nascido no Rio de Janeiro e formado em engenharia mecânica em Porto Alegre, o quadrinista Léo é totalmente desconhecido pela quase totalidade de seus conterrâneos. Ou pelo menos era , até julho de 2006, data em que a editora Panini resolveu lançar no mercado brasileiro a série Aldebaran (o primeiro número, com 98 belíssimas páginas coloridas, pode ser encontrado por R$ 22,90 nas bancas).

 

Na França, Leo é cultuado como autor de uma das melhores séries de fantasia e ficção dos últimos tempos, título que ele modestamente acha ser exagerado. Aldebaran conta a história dos primeiros colonizadores interplanetários saídos da Terra e mostra o desbravamento de um planeta com uma fauna exuberante, em um planeta estranho e quase todo aquático.


O desenho de Léo remete ao de Moebius, autor que na década de 70 consquistou o mundo com suas histórias de ficção publicadas nas revistas Pilote e Metal Hurlant, que viriam a ganhar versão globalizada na famosa Heavy Metal (entre as HQs de Moebius detacaram-se, por exemplo, O Incal, Garagem Hermética e a filosoficamente engraçada O Homem é Bom ?). Por isso mesmo, Leo, que concedeu entrevista exclusiva ao Mundo HQ, já está sendo chamado como O Moebius Brasileiro.

 

HGB - Como você começou sua carreira nas HQs ? E como foi parar na França ?
Leo - Depois de uns rolos políticos na época da ditadura, tive de abandonar meu trabalho de engenheiro. Comecei então a desenhar pra sobreviver (fazia ilustrações), pois eu sempre desenhei bem, desde criança. A partir de uma certa época, enfiei na cabeça que o quê eu queria fazer mesmo era história em quadrinho. Mas HQ de qualidade, como eu tinha visto numas revistas francesas (Pilote, Metal Hurlant) nos anos 70. Um dia, então, decidi largar o meu emprego, vender tudo e me mandar pra França. Isso foi em 1980.

 

Como você definiria Aldebaran ?
Aldebaran conta uma história de amor entre dois adolescentes. Só que essa história se passa no futuro e num outro planeta, o primeiro que a Terra tenta colonizar. E lá eles encontram problemas: acidentes repetidos nos vôos interestelares obrigam a Terra a suspendê-los até que se descubram as causas. Mas o tempo passa e a coisa não avança. Resultado: os primeiros colonos chegados no planeta vão ficar isolados, sem qualquer contato com a Terra. Quando a narrativa começa, faz mais de um século que o contato com a Terra foi rompido. Aí então…é muito longo pra resumir. E eu iria estragar a história… Faça um esforço, olhe as imagens, compre um dicionário e confira a história. Afinal francês não é tão dificil assim.

 

Como você se sente sendo cultuado na França, um país com tradição em HQs de fantasia e ficção ?
Minha série está fazendo um certo sucesso aqui, é verdade, mas dizer que eu e minha série somos cultuados é exagero. Até agora nenhum álbum meu foi traduzido em português, mas soube recentemente que Aldebaran deve ser publicado em breve em Portugal, o que significa que chegaria também no Brasil.

 

Como é ser quadrinista na França?
Depois que você começa a publicar regularmente e que a tua série vende bem, tua vida pode ser boa, mas com um ritmo de trabalho adoidado. Mas chegar a ser publicado é que são elas. A concorrência é enorme e a qualidade dos desenhistas é de dar desespero. Eu levei dez anos pra conseguir começar a publicar regularmente e poder viver só de HQ.

Quais são suas influências ?
No desenho é o Moebius, claro. É o grande mestre, insuperável e que melhora a cada dia. No roteiro são outros, vários outros. Mas é mais difuso, eu não saberia citar nomes.

 

Você acompanha quadrinhos no Brasil ?
Não acompanho nada do que se passa no Brasil, não conheço mais ninguém, virei um francês mesmo. Na minha época, nos anos 70, eu admirava caras como o Luiz Gê, o Laerte, os irmãos Caruso.

 

E quanto a voltar para cá, ter Aldebaran publicado por alguma editora brasileira ? Você pensa nisso ? (n. da r.: entrevista dada antes do lançamento em português) Não, não penso em voltar ao Brasil. Gosto muito da França, de Paris, e como estou aqui a fazer o trabalho que eu sempre sonhei fazer, e com sucesso, por que ir embora ? A venda das minhas histórias a editores estrangeiros não depende de mim: só a minha editora (Dargaud) que tem o direito legal de tratar esses assuntos. Eles tentaram e tentam regularmente vender minhas séries a editoras brasileiras, mas sem sucesso até agora.

 
[comentário]
2007-12-19 - 11:48:57
 
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