A Desconstrução do Ser Artístico

março 20, 2019


O princípio do desenho na nossa infância começa como uma espécie de reconhecimento do nosso mundo e de tudo que nos rodeia.

A medida que a gente vai crescendo, começamos a aprender todas as noções críticas que o mundo ao redor impõe. Com com elas, somos podados e moldados para uma cobrança a respeito do que é tido como “desenhar bem”. Gera-se uma necessidade de fazer algo que se assimila mais ao real, que tem relevância atribuída à ordem da mimese.

Eu sinto que depois de certo ponto da vida sempre tentando retratar tudo com fidelidade nos desenhos, minha produção acabou caindo pra certos vícios. Alguns padrões eram fortemente mantidos na grande maioria dos meus trabalhos, padrões que mais me limitavam do que motivavam, o que acabou me desestimulando e gerando fases longas de bloqueio criativo.

Foi a partir desse ponto que eu precisei achar um meio de explorar possibilidades que até então eu evitava ao extremo, por acreditar que “não combinava com o que eu fazia”. Foi um processo de desconstrução do que eu produzia até então, e a partir daí eu comecei a procurar cada vez mais pelos extremos opostos. O que eu fazia era tentar entender artistas que produziam trabalhos lindos, mas que eram completamente diferentes do que eu costumava fazer. Experimentavam cores, anatomias e composições que eu achava exageradas ou ousadas demais pro que eu costumava fazer, mas que ficavam extremamente interessantes nos trabalhos deles. Acho que dentro dessa exploração, ao sair da zona de vícios, eu acabei encontrando uma forma de agregar mais pluralidade ao meu traço.

Eu não fiz uma transição completa, até porque a gente sempre vai estar em transição. Entretanto, entendendo esses artistas tão diferentes de mim, eu consegui agregar detalhes, composições e ideias que, unidas a bagagem que eu já havia criado, puderam imprimir uma identidade no traço que ainda parecia comigo, mas diferente de tudo que eu já tinha feito.

Eu percebi aí a importância de aprender a se reconhecer e reinventar, e entendi que mudanças, por mais que estranhadas ao início, são necessárias para continuar evoluindo.

Texto de Camila Sombra

Publicado por Daniel Brandão

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