Carreira, Prazer e Estudo

novembro 07, 2018


Como continuar amando nossa arte e produção quando ela se torna um trabalho, o qual envolve todas as dificuldades que a nova natureza da função exige, como prazo, diminuição da liberdade criativa, limitação de materiais etc?

Trabalhar com arte pode ser interpretado como o equilíbrio de três visões: Carreira, Prazer e Estudo.

Quando se pensa em arte como carreira é preciso ter a consciência profissional do ofício e, para tal, além de maturidade, é importante manter certa disciplina: controle de seus horários, demonstrar uma postura cordial e respeitosa, mas também firme e objetiva, deixando claro o que você pode ou não fazer, dentro dos limites que seu corpo e envolvimento podem disponibilizar. Seguir esses direcionamentos contribuem para não se exceder no trabalho, acumulando menos ou mais funções que podem levar a frustração ou esgotamento, e ajudam na construção de uma carreira sólida.

Quando a arte é associada a seu prazer – e, sim, é importante dedicar um tempo a isso também – você se coloca num processo de busca do equilíbrio consigo mesmo, dando a chance a si de relembrar porque a arte te seduziu desde o primeiro momento, porque você decidiu adotá-la como uma linguagem que liga suas “verdades interiores” com o mundo. Assim você não precisa se cobrar ou se por em amarras, entrando em um senso de liberdade e leveza comum às crianças: você produz sem vergonhas, sem questionamentos, só pelo prazer de estar fazendo aquilo. É uma experiência muito recompensadora e que deve ser repetida com uma frequência justa ao seu tempo e atividades.

Por fim, a arte como estudo talvez seja a base de todas essas outras personas descritas. Estudar o que você faz é uma forma de aprimorar tudo o que você já sabe e sempre se oferecer uma chance de crescer, como artista e profissional. O estudo é uma medida ao desafio, pois ele amplia nossa visão de mundo, nos revela saídas, percepções e estruturas novas e/ou inesperadas. Faz com que nunca estejamos “concluídos” – pelo contrário, utilizar a “cadeira do estudante” é um exercício de humildade e um seguro estimulante para se querer produzir sempre.

Então, caro artista, cuide de sua carreira, mas não esqueça de ter prazer pelo que você faz e aprender sempre.

Texto de Luís Carlos Sousa

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

O Olhar do Desenhista

outubro 31, 2018


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Quando você precisa de referências para desenhar, pra onde você vai? Hoje a internet nos permite uma infinidade de opções: deviantartpinterest, o próprio Instagram. Mas, você tem feito desenhos de observação? Desenhar usando ferramentas digitais é muito bom e prático – principalmente por conta do tempo que se ganha -, mas nada substitui a interpretação do desenho através do próprio olhar do desenhista.

Tomar uma referência através de uma foto – do próprio desenhista ou de outro – é captar o instante da “lente”, um momento fixo imutável (ou imortalizado) pelo olhar filtrado do fotógrafo. Apesar de ser algo interessante sim ao desenhista, quando este aplica seu próprio olhar sem as “camadas” do maquinário fotográfico, ou dos pixels, bits e bytes eletrônicos, ele está dando uma impressão direta da realidade através de seu próprio olhar, dessa vez num instante identitário do artista – impossível de ser apreendido novamente, mesmo que aquele momento venha a ser replicado.

Além disso, o desenho de observação é importante para a prática do desenho em si. Ele treina a maneira do desenhista em perceber o real e reinterpretá-lo em suas linhas e traços. Além de manter o contato do desenhista por uma prática mais livre, descompromissada e instintiva, tomando sempre o cuidado no olhar.

Aproveite seu tempo livre… e mãos à obra!

Alex Coi tem um canal no YouTube e nesse vídeo ele tanto fala sobre desenho de observação quanto mostra seus sketchbooks. Confiram no play!

Publicado por Daniel Brandão

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A Responsabilidade da Arte!

outubro 24, 2018


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É muito comum se falar na liberdade da arte, de que esta não deve ser contida, diminuída ou censurada. Realmente, a arte, enquanto expressão do ser, precisa de amplitude para existir – por essa lógica, então, aos artistas, como veículos humanos dessa linguagem, toda a liberdade. No entanto, acreditamos que é preciso entender que tal liberdade não deve ser isenta de responsabilidades.

A arte é, antes de tudo, uma comunicação: o artista transmite uma ideia, a qual será reinterpretada por aqueles que a recebem. Uma das definidoras qualidades da arte é que tal mensagem pode gerar inúmeras interpretações, podendo ser alterada e ressignificada através do tempo, local, cultura, indivíduo ou da soma de todas essas características. Por isso que achamos importante sempre considerar como sua arte pode ser recebida: ela ofende/inferioriza/invisibiliza alguém, grupo, etnia, gênero, classe? Ela reforça/multiplica/justifica ações/conceitos de cunho violento/opressor/preconceituoso? Entre outras questões.

É importante que a arte traga questionamentos, mas é preciso reconhecer quando ela é questionável. Apresentar ideias que estimulem o debate da realidade vigente é uma das mais nobres e tradicionais funções da arte, mas utilizar a mesma para reforçar argumentos historicamente reconhecidos como opressores, justificando, através de sua liberdade de expressão, a impossibilidade de debate e forçando a uma aceitação incontestável parecem contradizer, inclusive, a natureza libertária do fazer artístico.

Por mais que uma vez publicada a obra esteja nas mãos de seus consumidores para formar novos significados, todo produtor deveria tomar responsabilidade no enunciado lançado, acrescentando sua própria voz ao debate iniciado por seu trabalho, bem como reconhecendo que algo dito em um determinado ponto de sua carreira pode ser revisto por ele mesmo em um outro, levando-o a reconhecer aquelas expressões como um passo de sua pessoal jornada de maturidade como artista e como ser humano.

Não é de nenhum interesse que nós, produtores de arte, sejamos silenciados. Mas igualmente não deveríamos querer que nossas obras sejam canalizadores de discursos de ódio – pelo contrário, esperamos que tudo o que produzimos possa levar ao debate pacífico e saudável, reconhecendo quando falhamos em nossos ofícios, mas estando sempre abertos a aprender com contestações, críticas e elogios.

Toda vida à arte!

Artista, designer, e editora de arte da revista The New YorkerFrançoise Mouly é uma das mais importantes figuras do mercado editorial e uma das mais representativas vozes (junto com seu marido, Art Spielgeman) que ajudaram a elevar as histórias e os artistas de quadrinhos para o local de importância em que estão hoje em nossa cultura. Nessa sua curta fala para o evento TED: Talks, a profissional aborda a importância da expressão artística como catalisadora das mudanças sociais e como contestadoras da realidade usando as capas da The New Yorker como exemplo. O vídeo está em inglês, mas as legendas em português podem ser ativadas. Confiram!

Publicado por Daniel Brandão

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Organizar é preciso!

outubro 17, 2018


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Existe uma grande opinião – muitas vezes reforçada por filmes e livros – de que para criar arte é preciso ser naturalmente “desorganizado”, pois essa seria uma forma de se estar em contato com seu lado mais “subjetivo”, mais “expressivo”. Assim, lidar com tabelas, regras, horários programados, prazos seria como “matar” a liberdade de pensamento artístico. Apesar de ser muito sedutor colocar as coisas dessa forma, para muitos produtores – e uma parcela considerável do mercado – não é muito vantajoso trabalhar nessas condições.

Esperando desmistificar o pensamento “opressor” da organização, acreditamos que montar uma disciplina de horário contribui não somente para a produção em si, mas para o encaixe dela com outros elementos, como família, amigos, atividades físicas, e nos permite uma visão mais elaborada apontando para os objetivos que desejamos alcançar.

É importante considerar que a organização e a disciplina não são “prisões” do ego artístico, mas “ferramentas” de melhor direcionamento e aprimoramento deste. Além disso, mais do que subjetividade ou expressivismo, acreditamos que o maior motor de um artista é sua paixão pela produção e, para isso, não existem amarras reais ou mentais suficientes.

Então, monte seu horário e comece a produzir!

Baseado no livro A Mágica da Arrumação, o perfil Ilustradamente resumiu as ideias trazidas por Marie Kondo sobre a arrumação e o impacto dela em nossa vida. Vale a conferida.

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Feriado dia 12 de Outubro

outubro 11, 2018


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Lembramos a todos que no dia 15 de outubro, dia dos professores, também haverá aula normal! Desde já agradecemos a atenção!

Publicado por Daniel Brandão

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