Desenhe como uma Criança

agosto 21, 2019


Dia de cinema. A criança vai empolgada ver um dos muitos filmes de heróis que estreiam quase todos os finais de semana. Ela acompanha tudo pela internet e sabe os nomes do elenco, da equipe de direção, de quem são as músicas – canta até algumas. A criança assiste ao filme estupefata, falando interjeições entre cenas cheias de emoções, olhando para a tela sem muita surpresa, mas com sede daquele mundo. Sai da sessão encantada, diz o que gostou e o que não – relata diferenças entre o que lê nos gibis e o que encarou naquelas duas horas de poltrona. Dá explicações esdrúxulas sobre coisas que os adultos não entenderam “é que tá nos quadrinhos e não dá pra colocar tudo no filme agora, mas vai ter um filme dois aí vão colocar”, fala com a convicção de produtor de Hollywood.

Come lanche, pega o brinquedo do filme no brinde que sozinho vale mais da metade do sanduíche com refrigerante e batatas. Hora de voltar para casa. Abre a porta da sala e entra correndo. A criança relata aos que não foram tudo o que viu na tela, com a mesma empolgação de quando saiu do cinema, a qual o acompanha até seu quarto, enquanto sorrisos se multiplicam mais por sua inocência do que por qualquer trama num filme de “gente colorida”.

Uma vez em seu ambiente particular, a magia começa a realmente acontecer. A criança retira das estantes organizadas as versões originais dos heróis que viu na tela grande. Personagens ainda mais hipercoloridos e bufantes, fazendo movimentos impossíveis, vivendo tramas improváveis em publicações de papel brilhante. A criança retira algumas das edições e as espalha pelo chão, depois vai até sua mesinha e pega tudo o que pode: papel, lápis, borracha, lápis de cor, corretivo, giz de cera, caneta, pincéis e aquarela – todos serão usados hoje, todos serão provados e todos cumprirão uma função.

A criança procura as “poses” mais legais em revistas diferentes e as replica do seu jeito. Passa horas colocando detalhes de uniformes, dando destaque nos olhos e nos “símbolos” – muito importante pra um herói o brasão estampado no peito -, começa a criar suas próprias narrativas, encontrando soluções diferentes que as do filme, misturando com “fatos” dos quadrinhos, completando os espaços com personagens que a criança mesmo criou. Vão-se quase 10 folhas de papel na primeira meia hora, há tinta derramada no chão, restos de lápis apontados, cotocos de pontas arrendondas – e um mundo de sonhos sem limites, em produções mais grandiosas do que a que ele assistiu hoje, mas com um orçamento muito mais modesto do que a do brinquedo-brinde da lanchonete.

Para a criança não há uma proporção errada ou um ajuste de design ou uma trama com furos de roteiro e incoerências. Está legal e pronto. Seu mundo é feito de paixão e emoções, de linhas, cores e uma alegria sincera. Suas histórias e desenhos não terão fim, porque não precisam ter, porque se acabarem, ela vai parar de desenhar, de criar, e sua grande brincadeira é isso: as horas com os materiais e em seu próprio mundo.

O silêncio impera e, quando a mãe vai ver, a criança está dormindo exausta como um deus ao sétimo dia deitado por sobre sua obra. Ela pega gentilmente a prole enquanto o pai arruma a bagunça, reunindo os rabiscos num único bloco, e separando as “ferramentas de trabalho” em um lugar visível para que ela possa ver onde todas as coisas estão ao acordar. Beijos de boa noite, luzes apagadas. Mãe e pai se reúnem na sala e repassam as criações do dia, rindo do processo de montar o quebra-cabeça deixado pelx artista. Ambos não entendem dos heróis ou dos desenhos, mas sabem que ali está a alegria que a criança precisa e esperam que dure sua vida inteira.

Texto de Luís Carlos Sousa. – um homenagem ao pequeno Matheusinho

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

Conheça Blenda Furtado

agosto 01, 2019


Fale-nos um pouco sobre sua carreira.

Passei um tempo trabalhando com a Fisioterapia e o desenho de forma concomitante, mas depois de alguns anos decidi me dedicar exclusivamente ao desenho, produzindo e ensinando. Trabalho com desenho há mais de 10 anos, e neste meio tempo tive a oportunidade de produzir mascotes para empresas, arte final de ilustração e quadrinhos, ilustrações encomendadas por particulares, trabalhos institucionais, editoriais etc. A partir de 2013 comecei a aparecer em publicações ligadas a quadrinhos e RPG. Apesar de começar exclusivamente como ilustradora e desenhista freelancer, depois que comecei como professora de Mangá no Estúdio Daniel Brandão nunca mais parei de ensinar. Em 2017 ganhei o prêmio Al Rio de artista revelação e hoje, sou professora das turmas de Mangá e Desenho, além de continuar com artes encomendadas e produção semanal de tirinhas de uma personagem autoral (Nanda) para o jornal há quase 1 ano.

Qual quadrinho fez você desejar fazer quadrinhos?

Vixe… Tenho 2 que me influenciaram muito a querer produzir quadrinhos: Samurai X (Rurouni Kenshin) do Nobuhiro Watsuki e Neon Genesis Evangelion do Yoshiyuki Sadamoto. São quadrinhos que tem um visual que me agradam demais até hoje e foram histórias que me emocionaram de tantas formas que a sementinha foi plantada ali.

O que está sendo produzido na sua prancheta no momento?

Uma das tiras semanais da Nandoca <3.

Como está sendo trabalhar em Os Mundos de Liz?

A Liz é uma amiga muito querida, e poder representá-la no meu traço foi muito recompensador e lindo.Trabalhar com Os Mundos de Liz este mês (julho) junto a tantas artistas talentosas me deu muito orgulho e foi algo que fiz com um carinho enorme! Os temas abordados pelo olhar de mulheres diferentes, com histórias de vida e traços tão diferentes foi uma grande experiencia que certamente levarei no coração para toda a vida.

Últimas palavras.

Se você gosta de desenhar, seja algo mais tradicional ou quer poder desenhar seus próprios personagens no estilo japonês, os Cursos de Desenho e Mangá do Estúdio Daniel Brandão são para iniciantes e nós vamos adorar receber quem tem a mesma paixão que a nossa! As aulas vão desde o mais básico (como formas diferentes de segurar no lápis, por exemplo) e crescendo em conteúdo ao longo dos 5 meses, onde passamos pelos mais diversos assuntos, como luz e sombra, anatomia/personagens, entre outros tópicos, até finalizar em cenários com perspectiva. Minhas turmas são as de sábado a tarde, e costumam ser cheias de energia boa e aprendizados tanto dos alunos quanto meu. Se se quiser conhecer mais do meu trabalho, dá uma passada no meu site (https://blendafurtado.com/)! ^_^

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

Conheça Juliana Rabelo

julho 18, 2019


Fale-nos um pouco sobre sua carreira.

Eu trabalho como ilustradora e professora freelancer há mais ou menos seis anos, e atualmente estou focando minha produção artística para o mercado de ilustrações para livros infantis; ministro um curso regular de aquarela no Estúdio Daniel Brandão, onde assumo a coordenação pedagógica a partir desse semestre e lá também passo a oferecer cursos de curta duração (confira AQUI); integro o programa MaisPAIC, gerencio uma lojinha virtual com itens de papelaria ilustrados por mim, e há seis anos cuido de um blog em que compartilho dicas e resenhas sobre livros, vida de ilustradora e materiais artísticos; já tive clientes como a Maurício de Souza Produções, Marisa, Ipanema, Faber-Castell e CiS Escolar, e recentemente fui publicada na Antologia HQ – Quadrinhos para Sala de Aula, da Fundação Demócrito Rocha.

Qual quadrinho fez você desejar fazer quadrinhos?

Pode escolher dois? “Retalhos“, do Craig Thompson, e depois “Placas Tectônicas“, da Margaux Motin.

O que está sendo produzido na sua prancheta no momento?

Eu acabei de enviar três livros infantis para aprovação (dois deles serão lançados na Bienal!), e agora vou começar a trabalhar na dominical d’Os Mundos de Liz e revisar os exercícios das Oficinas de Férias! 🙂 – (a primeira começou essa semana e ainda tem mais uma na semana que vem. Confere se ainda tem vaga!).

Como está sendo trabalhar em Os Mundos de Liz?

É muito óbvio falar que é uma honra imensa… Mas é verdade. Tem um sentimento muito forte de reconhecimento do meu trabalho envolvido nessa confiança que o Daniel deposita em mim, afinal, eu tô usando uma personagem que é filha dele, né? Literalmente. Eita, que responsabilidade! Convidar mulheres pra falar sobre as lutas diárias que enfrentamos é, ao mesmo tempo, abrir olhos e janelas para que possamos ser ouvidas, e portas para que nossa produção artística seja reconhecida. Poder contar com o espaço de um jornal, que é lido diariamente pelos mais diferentes públicos, para espalhar essas idéias, promover essas reflexões… É um momento maravilhoso. Esse mês vai ser incrível, e eu realmente tô muito grata de poder estar fazendo parte disso tudo.

Últimas palavras.

Se você tem curiosidade de aprender pintura, mais especificamente com aquarela e guache, mas não faz ideia de por onde começar, ou acha que não leva jeito pra coisa, chega mais e bora enfrentar essa jornada junto! 🙂 E se você não tá tão assim no momento de aprender uma técnica, não tem problema: me acompanha lá no meu instagram pra você poder inclinar a cabeça pro lado e soltar aquele “ooooowhn” com mais frequência na sua semana! ;~)

Publicado por Daniel Brandão

O Estúdio Daniel Brandão produz quadrinhos, ilustrações, criações de personagens e mascotes. Aqui também são oferecidos cursos de Desenho, HQ, Desenho Avançado e Mangá, além de aulas particulares.

Conheça Débora Santos

julho 11, 2019


Fale-nos um pouco sobre sua carreira.

Como a maior parte dos desenhistas desse mundo, também desenho desde pequena. Não lembro de um momento da vida em que eu não desenhava. Então, na adolescência, conheci alguns quadrinhos que me fizeram ler mais quadrinhos. Como sempre tive vontade de contar histórias e me expressar com imagens, acabei encontrando nessa linguagem uma forma mais livre de me expressar, de botar pra fora o que eu sentia, principalmente na adolescência. Por muito tempo foi assim, mas não me profissionalizei super jovem. Estudei Ciências Sociais na faculdade, mas nunca parei de desenhar. Durante minha graduação fiz cursos de quadrinhos, de desenho e pintura, fiz até estágio no museu da universidade (Universidade Federal do Ceará). Após formada, ingressei no curso de Licenciatura em Artes Visuais que na verdade era o que eu sempre quis estudar, mas acabei saindo para trabalhar com quadrinhos e ilustração. Hoje eu trabalho só com isso e também integro um selo de impressos independentes de Fortaleza, Netuno Press, composto por mim e Márcio Moreira, Brendda Lima, Nycolas Di e Talles Rodrigues, todos profissionais dessa área.

Qual quadrinho fez você desejar fazer quadrinhos?

Foi Sandman. Até então o que eu conhecia de quadrinhos eram coisas que geralmente encontrávamos nas bancas: Turma da Mônica, super-heróis e alguns mangás. Eu já tinha lido mangás que amigos me emprestaram, mas nunca tinha ficado tão deslumbrada quanto no dia em que li Sandman pela primeira vez. Eu queria desenhar como aquelas pessoas, queria fazer personagens misteriosos e sombrios, e desenhar fantasia e magia. Então devorei tudo e depois fui atrás de outros títulos do selo Vertigo. Na época, eu nem pensava em ser profissional, achava que era algo pra pessoas de realidades muito distantes da minha. Essa vontade só veio muitos anos depois, quando eu já estava terminando a faculdade.

O que está sendo produzido na sua prancheta no momento?

Agora estou fazendo um quadrinho baseado na tese de uma antropóloga (o roteiro é dela). Ela estudou turismo sexual em Natal, RN, e conta um pouco da história de algumas mulheres que ela conheceu e conviveu lá por alguns anos. Vai ser um livro grande e estou bem ansiosa pra concluir e ver tudo pronto, estou gostando muito da história.

Como está sendo trabalhar em Os Mundos de Liz?

Minha contribuição foi rápida, uma tirinha dominical, mas confesso que foi um desafio pra mim pensar em algo que coubesse numa única página, pois já estou acostumada a histórias mais longas. Rabisquei umas ideias meio absurdas que descartei antes da versão final. De qualquer forma, gostei de ter colocado coisas aleatórias na história, me diverti fazendo.

Últimas palavras.

Pra quem quiser acompanhar meu trabalho é só me seguir no Instagram, @deborasantosart, sempre coloco coisas que estou fazendo e onde vou estar nas próximas feiras. Também dá pra acompanhar o Instagram da Netuno Press, @netunopress. Na minha página deborasantosart.tumblr.com tem todo o meu portfólio lá, bem como meu contato (e-mail) para comissions.

Publicado por Daniel Brandão

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A Importância de se Respeitar o Fim

julho 10, 2019


Há uma história que adoro contar – devidamente roubada do filme Agonia e Êxtase – em que Michelângelo, estando ao lado de um imenso bloco de mármore, ao encontrar o Papa Júlio II, apontou para a rocha e falou empolgado para o pontífice “Vê, meu senhor, seu Moisés já está aí dentro, basta que eu o liberte” [uma linha devidamente adaptada, mas que espero que ainda contenha o poder do texto original]. Acho esse trecho em especial muito rico, principalmente na enorme quantidade de interpretações que ele pode nos conceder. Irei, hoje, me fixar em uma.

Toda vez que penso no ato de Michelângelo em “ver” o Moisés dentro do mármore, imagino que ele queria dizer que já via o “fim” de seu trabalho, não no sentido de que ele sabia quando ou como iria acabar, mas que este certamente se finalizaria, pois todas as “correntes” seriam, enfim, retiradas quando sua nobre e humilde função se completasse. Para os curiosos, a obra teve seu último grilhão libertado em 1545 – há uma incerteza sobre seu início (se em 1513 ou 1515), mas tomou cerca de 30 anos de seu autor.

A percepção de Michelângelo evidencia uma faceta muitas vezes negada de sua genialidade: a capacidade de se dar fim às coisas. Qualquer processo, artístico, profissional, pessoal, merece um ocaso. Em algum momento de nossa História, entre o instante em que o tempo começou a ser medido e nosso presente, a inevitabilidade do fim mudou nossa percepção acerca “do que podemos fazer com o tempo que temos” para “não temos tempo o suficiente para fazê-lo”.

Mas a arte não tem pressa, apesar de reconhecer seu próprio poente. Cada obra possui seu lapidar calmo e processual, segue uma integridade tomada pela paciência, num ato mágico em sua conclusão, mas convencional per se: ao artista, o júbilo persiste mais no fazer do que no ver feito. No entanto, se a obra toma mais tempo que o movimento necessário entre os amantes do ato artístico, o que deveria ser uma aprazível caminhada se revela um fatídico tour de force, em que corpo e mente são testados a limites desagradáveis e em que o carinho do processo dá lugar à ansiedade de uma completude impossível, em um cambaleante movimento do artista de encontrar mais um detalhe que precisa ser corrigido, mais uma aresta a receber o toque da lixa, mais um ajuste que fugiu a seu olhar acurado e, com isso, o senso de que não se tem mais tempo (ou mais vida), de que aquele ciclo do eterno fazer devorou todos os outros.

Temos problemas em aceitar fins: de nossas obras, de nossas vidas, de nossos confortos. Mas o universo em que estamos funciona em ciclos de finitudes: algo finda para outro algo tomar seu lugar, baseando este novo começo nas experiências do que acabou, “na vida vivida” se assim preferirem. Dessa forma, é importante sim aceitar esses arremates como parte de um processo maior e significativo, mas é extremamente acolhedor entender o findar como algo pessoal, como a compreensão de que uma etapa de seu próprio âmago despede-se para dar lugar a algo novo e, com alguma positividade, melhor do que era antes.

Por isso, respeitemos nossos tempos, entendamos nossos passos, reconheçamos nossos fins. Pois até as estrelas, um dia, deixam de brilhar, aceitando suas “breves” vidas com tanta alegria, que a beleza de seus crepúsculos nos marcarão eternamente.

Texto de Luís Carlos Sousa.

Publicado por Daniel Brandão

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